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“Racismo Estrutural”, na prática: quando brancos ignoram vagas afirmativas

Atualizado: 14 de mar.

Por Juliana Kaiser


O universo corporativo tem passado por algumas mudanças, em prol de organizações mais diversas, inclusivas e que reforcem seu papel social de ampliar a igualdade e oferecer oportunidades diversas para grupos variados.


Uma das políticas utilizadas neste contexto foram as vagas afirmativas, destinadas a pessoas que costumam ser excluídas da possibilidade de conquistar posições de liderança ou postos de trabalho que rompam com a disparidade social e ampliem as oportunidades para grupos que são minorizados, como mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e, sempre, os negros.


Meu sinal amarelo vem acendendo, a cada dia mais luminoso, para o recrutamento em vagas afirmativas abertas para postos de média e alta lideranças, em posições distintas: diretoria, gerência e coordenação. O preconceito é nítido e a revolta de pessoas brancas pela sensação de não pertencimento, o que já acompanha pessoas negras por toda a História, é assustador. Para se ter uma ideia do que estou falando, de três grandes empresas, em vagas voltadas para negros, cujos processos de seleção venho acompanhando, os percentuais de inscritos brancos variaram entre 70 e 80%.


Além de ignorarem os critérios para os candidatos, tal público ofende ainda os alvos das vagas, com comentários de violência. Em um deles, li: “Sei que não vai encontrar alguém assim. Então, pode me chamar que estou disponível”. Já em outro, a exclamação foi “Isso sim é racismo. Separar as pessoas por cor. O que define é a competência e o caráter”, o que nos causa sentimento de certa indignação, visto que a disparidade entre as oportunidades é enorme e os privilégios de pessoas brancas são óbvios e não deveriam nem ser questionados.


Ao agirem dessa forma, têm uma “certeza”: não há negros qualificados para assumirem os postos. É uma atitude que denota a inconveniência de quem não se enquadra no perfil (pela primeira vez na História) e insiste em “empurrar goela abaixo” os seus preconceitos. O tema traz tanta revolta que multinacionais, também chegaram a ser foco de discussões na web após lançarem programas de trainee voltados a pessoas negras.


De acordo com o Ministério Público do Trabalho, as vagas afirmativas são uma prerrogativa legal e estão previstas em um documento público chamado Discriminação Positiva, em que o Órgão admite que historicamente negros foram negligenciados no mercado de trabalho e tratados de forma desigual, portanto, estão autorizados todos e quaisquer processos seletivos que visam essa inclusão de forma a fazer reparação histórica.


Precisamos avançar na educação antirracista e lutar pesado para que o preconceito não afaste as possibilidades de negros que merecem e podem, sim, ocupar lugares de liderança, ser a voz de multidões e não se limitar a oportunidades que têm como meta minimizar e subjugar.




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